Letras

Basic CMYK

MONSTRO

Com os dentes cerrados mostra sua cara
Com a raiva incubada demonstra o que mascara
Inquietude que enfumaça a virtude
Impiedade que inferniza a atitude

Encarnação da guerra
Que mata e destrata a paz
Que o próprio corpo enterra
E a alma se desfaz

Monstro
De si e dos demais
Monstro
Dos eus e dos mais

Sua queda vai acontecer
Quando o herói vier sobre você
Cavalgando sobre a luz do sol
Com o seu poder devastará o mal

REVOLVER

Vou revolver, vou revolver

Caminho no atalho do estilhaço
Seguindo os passos do embaraço
Entrego as dores do meu passado
Me vejo um novo iluminado

Emudecido em sepultura
Vou nascer ventura…

Sinais se faz quando se querer virar a vida
Sinais jamais serão a despedida
Deixo pra trás as marcas das minhas trombadas
Me vejo no estreito da encruzilhada

VOLTA

Eis que se foi pra bem longe
Eis que se vai pra distante
Dissipar a valia
Encenar a história vazia

Aliciar a medida
A exigente saída
Aclama o cara iludido
O acaso impróprio indevido

Onde consome os amores
Onde se rouba os valores

Volta
Quando se volta se faz a festa
Volta
Quando se volta os anjos dançam

FOME

Eu vi abaterem seus direitos
Enquanto saqueavam seus proveitos
Eu vi quando feriram a sorte
Dos que cambaleavam entre a morte
Eu vi sua tristeza apática
Agitada em doenças linfáticas

Eu vi a cara da fome, mas ela estava viva
Fedida e corrupta, mas ela estava lá

Ela estava viva, impiedosa e déspota
Vestida de indiferença
Endinheirada e opulenta

CRISTO É O MEU SOL

Cristo é o meu sol
Tudo que tenho em mim
A razão de viver
A luz do meu caminhar

Nem mesmo a dor e a morte
Podem nos separar
Pois o amor que encontrei
Nada pode apagar

Louvado seja o Senhor
O Deus de todo o poder
Louvado seja o Senhor
O Deus de todo o poder

Capa_Trombs

ATRAVÉS

Através dos céus posso ver além
do que é real, do que é imortal

Através da história vejo a memória
do que foi um plano para o ser humano

Através da cruz posso ver a luz
que clareia o caminho e nos dá de beber do seu vinho

Através da palavra vejo a verdade
que gera a raiz pro que eu sempre quis

Ver além
Do que se transpõe
Ainda me recompõe
Para ser alguém

Através
Se atravessa
A lucidez
De uma só vez…

A CARTADA

Ele pensou ser o vencedor
Se vestindo de Iscariotes
Ele pensou ser o executor
Se vestindo de sacerdotes

Se vestiu de juiz…
Se vestiu de leis…
Se vestiu de civis…
Se vestiu até de reis…

Ele venceu o impostor
Se despindo de sua majestade
Ele venceu o enganador
Se despindo de sua imensidade

Se despiu de seu ser
Se despiu de nobreza
Se despiu de poder
Se despiu até da sua grandeza

Está consumado
A conquista do pecado
Que prendia-nos culpado
Justo exaltado
O seu nome confessado
De joelhos lado a lado

Vitima da dor
Não se considerou sobre todos
Mas Deus o exaltou
O seu servo sofredor sobre todos


EQUILIBRANTE

O poço é negro e sem fundo
No precipício do fictício mundo
Onde o salto é mais profundo
No coração do homem imundo

Desarma e vem…
Saltar mais além…
Desarma e vem…
Saltar as vertigens…

A mente sente insegurança
Na corda bamba que balança
No desconcerto da mudança
Que espanta e canta a esperança

Equilibrante fascista
Habilidoso cientista
Que avalia o vôo
Que se confia ao pouso
Na eterna afronta do pensar
Muito mais que a razão possa alcançar

Entregar-se a alma pra voar
Entregar-se a calma pra mudar
Sentir-se firme no desafio
Do fio da morte
Do homem da sorte


NAMIRA

Sem piedade se vai à caça
Perdido na massa que anda nas ruas
Com frieza prepara a sua taça
Que brinda a desgraça à sombra da lua

Caminho estreito sem norte
Caminho curto da morte
Da mente tonta embaçada
Da descoberta emboscada

Seduções te incitam para o laço
Atrações desvirtuam o seu abraço
Tentações asseguram o seu fracasso
Impulsões asseveram o descompasso

Está pronto o matadouro
Pra quem escolheu o seu encanto
A ruína arrancará o couro
De quem se enrolou no obsceno manto

Namira atira no peito de quem se lança de jeito
Namira atira na alma de quem se inflama


TROMBA

A sina é derrubar a tromba
Que aponta sobre o seu nariz
Na cara o susto leva a bomba
Que assombra o pobre infeliz

Que conturba o velho cativeiro
Que perturba o grande prisioneiro

Sei que a vida é subir a descida
Pra jamais querer voltar atrás
Do posto que é o maior desgosto
De ver o que não se quer ser

Então tromba…
Tromba sobre si
Então tromba…
Tromba até se destruir

Dentro de mim há um homem mal
Dentro de mim há um homem-tromba
Dentro de mim há um velho homem caído que precisa se redimir

A cruz é a redenção
O sangue é a remissão
Cristo é a expressão exata do perdão


O VENTO

O vento sopra onde quer
Não se sabe de onde vem
Chega de repente
Vai sem perceber
Nada pode prendê-lo
Nada pode impedi-lo
Nada pode sufocá-lo

Vento
Vem, venta em mim…

A minha alma é uma casa assombrada
Com paredes desbotadas
Meus telhados estão a despencar
As cortinas escuras ofuscam a luz

Invade a casa
Espalhe a poeira
Enche o meu interior

Lembranças perdidas
De um tempo que se foi
Lembranças perdidas…


UMA ERA

Era uma vez a vez
Daquele que viveu entre nós
Era uma vez a vez
Daquele que mostrou sua voz
A voz mudou a nossa vez
Seu reino veio até nós
Trazendo a sua vontade
Rendeu-se à nossa liberdade

Era uma era pra apontar a verdade

De tantos presos aos nós
Veio secar nosso pranto
De tantos mudos sem voz
Trouxe a todos um canto
Agora somos herdeiros
De um novo tempo a viver
De um novo mundo a poder
Ser vencedor desta história

Que nunca vai se perder…
Por isso era uma vez…
por isso era uma vez…


O JOGO

Há tempos parei de lamentar as cartas que ganhei
A vida é um jogo de valetes e reis
E até mesmo a princesa pode dançar
Basta seu carro se jogar num pilar

É melhor se divertir
Que esperar a bala perdida
É melhor se dividir
Pois o avião pode cair

Quem perdeu hoje, amanhã pode vencer
E os vencedores estejam prontos pra perder

Direto e reto, postura e posicionamento
linha de frente de quem espera o julgamento
vida sacudida gandaia, balada
não é remédio pra cabeça de ninguém rapaziada
a nossa história de luta e marcada
por um todo ou por nada
porque o Rei não tem hora marcada
e é melhor você entender pra não cair da escada
na trombada…

Há tempos parei de ser o rei
Há tempos parei de me gabar
Há tempos a vida não é lei
Nem sempre a vida é só ganhar


CIRCO BESTIAL

Neste circo bestial
Não falta palhaço, nem cara de pau
Neste circo bestial
Não falta espaço, nem animal

Inúmeros números se confundem
De falcatruas acrobáticas
Estranhas atrações patéticas
Que encantam sempre com as mesmas mágicas

Apareceu virou sumiço
Apareceu…

Animação que se faz em massa
Alienação que se faz sem graça
De invenção que se faz trapaça
Alucinação que faz devassa

Surto da euforia
De uma platéia ensandecida
Que se embriaga com a magia
Estúpida fétida de idolatria

Eu não quero estar estático
Como um mísero observador
Ver o fogo queimar a lona
Sem a chama do redentor